Admiração, Inveja e Amor
:: Flávio Gikovate ::
A busca de destaque social através do sucesso em alguma área de atividade (que é a forma usual da manifestação adulta do exibicionismo e que chamamos de vaidade) teria por finalidade atenuar a sensação de desamparo, solidão e insignificância, sensações geradoras de brutal desespero, especialmente para aquelas pessoas que, em virtude de sua inteligência, são mais conscientes destas propriedades da condição humana. Apenas algumas observações serão suficientes para demonstrar que este caminho não leva a parte alguma, a não ser para uma relativa neutralização da sensação de insignificância que, ainda assim, necessita permanentemente de reforços derivados de novos feitos, capazes de chamar a atenção das outras pessoas.
Se a intenção inicial das pessoas que buscam o destaque é, através dos seus desempenhos, acima da média, obter admiração e o amor dos que lhe são próximos, o resultado na prática é bastante diverso deste. O sentir-se amado pode efetivamente representar uma importante atenuação do desamparo original, sendo um remédio eficaz para o desespero que deriva da consciência da solidão, de modo que seria legítimo buscar esta solução, ainda mais que ela estaria na mesma direção da que determina o prazer erótico ligado ao sucesso. O que perturba esta solução, aparentemente muito boa porque resolve os dois anseios - afetivo e erótico -, é que a admiração determina o surgimento da inveja e não do amor.
Amor e inveja derivam da mesma fonte: a admiração. Porém, na prática, a inveja é a emoção que mais frequentemente se manifesta, especialmente quando as diferenças entre as pessoas são mais marcadas. Para que a admiração resultasse em amor seria necessário que as pessoas em geral estivessem relativamente bem consigo mesmas, de modo a não se sentirem humilhadas, agredidas pelas competências especiais das outras.
Acredito que a maioria das pessoas que buscam o destaque social só percebe muito tardiamente que seu sucesso desperta muito mais frequentemente a inveja do que o amor; e, mais, que vive esta constatação surpreendente como profundamente decepcionante e geradora de uma grave crise íntima. Não é fácil aceitar que o resultado de tanto esforço e dedicação a uma causa qualquer - desde as mais nobres até o simples sucesso material - seja a hostilidade sutil, manifestada principalmente pelas pessoas mais chegadas, amigos e familiares. E agora, o que fazer? Abandonar tudo e iniciar uma nova vida? Com que forças? E para onde dirigir essas energias, se o resultado de uma mudança de rota pode ser o mesmo, ou seja, a inveja?
Na maior parte das vezes, não há mais como existir uma reversão do processo, principalmente porque as pessoas já estão muito habituadas às gratificações eróticas derivadas do sucesso social. A vaidade funciona, nestes casos, como um vício qualquer: o indivíduo percebe que ela lhe é nociva - por causa da inveja que sua condição desperta - mas não consegue mais abrir mão dos prazeres que dela advém. O sentir-se hostilizado agrava a sensação de solidão e desamparo, o que costuma determinar um agravamento do desespero, agora acrescido de revolta contra as pessoas invejosas. O desespero e a revolta geram uma energia ainda maior, que é usada na direção de se obter um destaque mais acentuado, que agrava a solidão. A inveja é um sinal da admiração e do destaque obtido, de modo que passa a ser buscada ativamente, apesar da mágoa íntima que possa causar. Para continuar a ser admirado e destacado, terá que se comportar cada vez mais de acordo com o que o grupo social valoriza - ainda que já tenha percebido seu caráter absolutamente ilusório e, na prática, insatisfatório. Desta forma o grau de liberdade individual se torna mínimo, ao mesmo tempo em que o indivíduo fica cada vez mais sozinho, apenas se gratificando - em doses cada vez maiores, como em qualquer vício - dos prazeres eróticos ligados ao exibicionismo.
Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta,
pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo
Muda-se a cada instante. E nestas passagens, vai se adquirindo aos poucos,com esforço e um pouco de sorte, a humanidade possível. Posto neste espaço reflexões, notícias de psicologia, relacionamento, e andanças pela jornada da vida.
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sábado, novembro 25, 2006
sexta-feira, novembro 17, 2006
Gente solitária
PARA gente solitária
http://www.youtube.com/watch?v=4BzHctMVLiY&mode=related&search=
Tenho lido depoimentos de garotos e garotas que se sentem doloridos em suas angústias, em sua sede de vencer, um futuro tão grande ainda para ser manipulado. Meninos sózinhos em suas dores, as vezes desinibidos, as vezes retraídos. Mas aqui entre nós, parece que os garotos são mais discretos 'de alma'. Também são frutos de expectativas familiares, exigências e educados para serem 'o máximo'. O máximo sócio-cultural para homem é ser um sucesso'. Em que? Em ganho, em trabalho, em seus deveres de filho, fisicamente, e sei mais o que.
E com quem este menino (que pode ser um garoto, jovem, adulto, maduro e idoso) fala?
E fala, será? É importante quando vc. sente raiva, expressar a raiva. Por que toda emoção tem que ser digerida, e para ser digerida precisa primeiro ser expressa. Lembra da história do 'conte até 10'? Pois é, é ótima para a impusividade, e possibilita que o corpo não se veja a mercê de tanta adrenalina circulante. Respirar fundo e contar até 10.
Mas em casa, o que vc. faz quando seu 'spotlight' apaga? Vc. soca as almofadas? Porque é bom. Tem que jogar prá fora esta emoção até cansar. Aí vc. consegue relaxar e talvez até chore. E isto é mais que bom. Forte não é a pessoa que se segura. É a pessoa que, depois de contar até 10 consegue,no seu local de descanso, dar vazão a sua dor.. O diálogo vem depois. Quando vc. consegue falar com a pessoa explicando que não gostou, do que não gostou e porque não gostou. Criticar não leva a nada. Primeiro relaxe, deixe passar um dia ou quantos vc. precisar, mas fale com a pessoa.
Quando fizer isto (e falar o que não gostou chama-se confrontar ) tenha a certeza de dizer logo no início: 'quando vc. fez ou falou X eu me senti (inferior, incompetente, feio, rejeitado, não aceito, etc)por isto eu senti (medo, raiva, tristeza). Só. Não explique mais, não permita que o outro o questione sobre se isto é certo ou errado. Ninguém pode levar vc. a sentir diferente do que vc. sente. Sua emoção é só sua. Tem gente que pensa sempre em adaptar os outros a sua maneira de viver. E isto é um êrro.
Gosto da expressão: 'êrro emocional'. Sai da coisa do 'certo e errado'. Todos infringimos as vezes regras de bem viver, e se o fazemos não é porque 'somos errados' mas sim porque cometemos êrros, e emocionais. Por isto as vezes as pessoas não aceitam expressões de emoções. Têm lá seu preconceito, e isto é um êrro emocional. Mas você pode e deve falar quando se sente ofendido ou mal tratado por alguém.
Evidente que aqui não me refiro a danos legais, incluindo o 'abuso moral', que ainda bem já é considerado crime (neste caso fale com um advogado, com o SOS Criança adolescente, Delegacia da Mulher, ou chame o 190).
Estamos falando de coisas que acontecem que fazem com que a gente se retráia e perca até a vontade de falar ou ver outra pessoa. Várias vezes fiz exercícios de expressão de raiva no meu consultório com algum paciente com dificuldade de lidar com os sentimentos. Uma vez uma mulher me disse: 'Mas o que adianta isto?' Costumo dizer que adianta para a gente se sentir vivo e perto ('closer'). A gente tem necessidade de ficar só. Mas a gente sente também necessidade de conviver com pessoas, porque somos seres sociais por natureza. Ninguém jovem torna-se eremita porque quer. Alguém maduro sim, e mesmo assim é necessário saber se não é 'uma baita' depressão que está agindo dentro desta pessoa. Mas a juventude é uma imersão no mundo, na aragem de primavera onde tudo é novo, e os jovens querem as novidades.
Então existem os meninos solitários... que provavelmente sentem receio de se expor, sentem-se muitas vezes infelizes, e pensam que é algum defeito nêles. Não é não. Faz parte de um sentimento de não aceitação que toda pessoa guarda dentro de si. Em umas aparece mais, em outras não... Tem muita gente desinibida que sente incompreendido...
Fonte: eu mesma, e Cecílio Kermann - um de meus professores, argentino.
http://www.youtube.com/watch?v=4BzHctMVLiY&mode=related&search=
Tenho lido depoimentos de garotos e garotas que se sentem doloridos em suas angústias, em sua sede de vencer, um futuro tão grande ainda para ser manipulado. Meninos sózinhos em suas dores, as vezes desinibidos, as vezes retraídos. Mas aqui entre nós, parece que os garotos são mais discretos 'de alma'. Também são frutos de expectativas familiares, exigências e educados para serem 'o máximo'. O máximo sócio-cultural para homem é ser um sucesso'. Em que? Em ganho, em trabalho, em seus deveres de filho, fisicamente, e sei mais o que.
E com quem este menino (que pode ser um garoto, jovem, adulto, maduro e idoso) fala?
E fala, será? É importante quando vc. sente raiva, expressar a raiva. Por que toda emoção tem que ser digerida, e para ser digerida precisa primeiro ser expressa. Lembra da história do 'conte até 10'? Pois é, é ótima para a impusividade, e possibilita que o corpo não se veja a mercê de tanta adrenalina circulante. Respirar fundo e contar até 10.
Mas em casa, o que vc. faz quando seu 'spotlight' apaga? Vc. soca as almofadas? Porque é bom. Tem que jogar prá fora esta emoção até cansar. Aí vc. consegue relaxar e talvez até chore. E isto é mais que bom. Forte não é a pessoa que se segura. É a pessoa que, depois de contar até 10 consegue,no seu local de descanso, dar vazão a sua dor.. O diálogo vem depois. Quando vc. consegue falar com a pessoa explicando que não gostou, do que não gostou e porque não gostou. Criticar não leva a nada. Primeiro relaxe, deixe passar um dia ou quantos vc. precisar, mas fale com a pessoa.
Quando fizer isto (e falar o que não gostou chama-se confrontar ) tenha a certeza de dizer logo no início: 'quando vc. fez ou falou X eu me senti (inferior, incompetente, feio, rejeitado, não aceito, etc)por isto eu senti (medo, raiva, tristeza). Só. Não explique mais, não permita que o outro o questione sobre se isto é certo ou errado. Ninguém pode levar vc. a sentir diferente do que vc. sente. Sua emoção é só sua. Tem gente que pensa sempre em adaptar os outros a sua maneira de viver. E isto é um êrro.
Gosto da expressão: 'êrro emocional'. Sai da coisa do 'certo e errado'. Todos infringimos as vezes regras de bem viver, e se o fazemos não é porque 'somos errados' mas sim porque cometemos êrros, e emocionais. Por isto as vezes as pessoas não aceitam expressões de emoções. Têm lá seu preconceito, e isto é um êrro emocional. Mas você pode e deve falar quando se sente ofendido ou mal tratado por alguém.
Evidente que aqui não me refiro a danos legais, incluindo o 'abuso moral', que ainda bem já é considerado crime (neste caso fale com um advogado, com o SOS Criança adolescente, Delegacia da Mulher, ou chame o 190).
Estamos falando de coisas que acontecem que fazem com que a gente se retráia e perca até a vontade de falar ou ver outra pessoa. Várias vezes fiz exercícios de expressão de raiva no meu consultório com algum paciente com dificuldade de lidar com os sentimentos. Uma vez uma mulher me disse: 'Mas o que adianta isto?' Costumo dizer que adianta para a gente se sentir vivo e perto ('closer'). A gente tem necessidade de ficar só. Mas a gente sente também necessidade de conviver com pessoas, porque somos seres sociais por natureza. Ninguém jovem torna-se eremita porque quer. Alguém maduro sim, e mesmo assim é necessário saber se não é 'uma baita' depressão que está agindo dentro desta pessoa. Mas a juventude é uma imersão no mundo, na aragem de primavera onde tudo é novo, e os jovens querem as novidades.
Então existem os meninos solitários... que provavelmente sentem receio de se expor, sentem-se muitas vezes infelizes, e pensam que é algum defeito nêles. Não é não. Faz parte de um sentimento de não aceitação que toda pessoa guarda dentro de si. Em umas aparece mais, em outras não... Tem muita gente desinibida que sente incompreendido...
Fonte: eu mesma, e Cecílio Kermann - um de meus professores, argentino.
terça-feira, novembro 14, 2006
Mulheres, Depressão,George
http://www.clooneyfiles.com/media/index.shtml - wall paperDepressão - seu nome é Mulher? Certamente não!!
Infelizmente nós, mulheres, estamos em um momento de mutação da humanidade. Não são 'nossas mudanças de humor', ou 'la donna é mobile', rsrs.
As mulheres são 'tarefeiras e cuidadoras', segundo Mary Garcia Castro,importante pesquisadora da UNESCO(ENGENDRANDO PODERES EM TEMPOS NEO LIBERAIS NA AMÉRICA LATINA FEMINISMOS E FEMINISMOS. REFLEXÕES À ESQUERDA, Salvador, 1998, xérox)
Quando alguém vem me falar que está cansada, eu costumo dizer esta frase. Toca a todas as mulheres com quem eu tenho conversado.
É difícil curar este comportamento, que é já tão estruturado na família e sociedade...
As vezes adianta um grito de alerta, as vezes pode despertar um lado sadio.
Pare de fazer mais do que a sua parte, pare de buscar agradar a outra pessoa, SEJA VOCÊ MESMA! Se não gostou, diga na hora. Quando se pegar salvando alguém (releia o post de Manipulação) tenha uma conversa sincera consigo mesma para ver onde isto vai te levar.
A gente pode esquecer do que gosta... pode achar que a vida não tem mais graça... talvez demore até muitos anos, mas ninguém escapa ilesa de postergar seus desejos, seus 'NÃOS' esquecidos na cozinha, no quarto, na sala de estar, no carro.
Garota, comece a praticar desde já o relacionamento de igualdade. Não se permita esperar horas a fio por aquele telefonema, pelo 'Vamos namorar?'. Viva a sua vida, que uma hora você topa com uma pessoa que vai compreender você, suas necessidades, e vai gostar de você assim mesmo. Se já tem um(a) parceiro(a), não se renda a sedução de ser 'gueisha'. Comece devagarzinho a mostrar-se mais, a valorizar-se.
Sei que hoje as meninas estão mais autoconfiantes, mas existem ainda meninas preparadas para serem 'perfeitas' para o casamento.
Este tipo de casamento em que a mulher se anula não é para existir mais, na sua idade.
Sim, eu sei que existem senhoras felizes ... Isto porque têm a recíproca por parte do marido, ou seja, os esposos tratam-nas como querem ser tratadas. Encontraram o equilíbrio no casamento, e por isto aconselham às jovens a que casem.
Existem também senhoras infelizes, enlutadas por maridos que as amaram tanto que elas ficam com o coração partido com esta perda... Há também mulheres mal sucedidas em seus casamentos, e que tiveram de separar-se contra a vontade (e hoje dão graças... ou lamentam ainda...). Estou entrando no assunto casamento porque é ainda o sonho de grande parte das garotas. No entanto, o assunto é outro. É você, mulher, 'fazer demais': por uma relação, por um trabalho, na ânsia de 'agradar' e/ou 'ser perfeita'.
A mulher hoje precisa optar por um caminho em que se sinta satisfeita, sendo capaz sem ser 'perfeita', sendo agradável sem ser ' tão boazinha', sendo esperta sem ser 'manipuladora', sendo atraente sem ser 'sedutora', sendo competitiva sem 'ser ríspida', sabendo dialogar de igual por igual, apesar das diferenças.
Os tempos mudam ràpidamente, e esta era de transformação pede que ajeitemo-nos dentro das nossas possibilidades, sem sofrer demais. Perder, quem não perde? Mas perder o ânimo, JAMAIS! Nada vale a perda de energia, pois ela se chama 'depressão'. Essa energia que se esvai é o élam vital, e não existe nada de paranormal nisto.
Quando a pessoa se exige muito, ela faz muito, e aí vale para ambos os sexos.
Educada (ainda) para atender a expectativas emocionais dos outros ea mulher se atrapalha. Altera sua química e então vai precisar de atendimento. Se não for logo ao médico, pode desenvolver doenças mais sérias.
Sei também que pessoas e inclusive psicólogos (as) acham que depressão não precisa se apoiar em medicamentos. Em uma primeira vez, acredito sim. Só a psicoterapia pode resolver, se a pessoa tiver um bom histórico de vida. Mas se for recorrente, e/ou se for (como é na maior parte dos casos) também somática (envolvendo partes do corpo, como doenças de pele, dores, pressão alta, colesterol alto, diabete, tiroidite, e outras), e/ou vier acompanhada de medos e crises de pânico, o(a) profissional tem que ser efetivo! Mas tem que tratar das suas crenças sim!
Hoje estou me dedicando mais a informar sobre o fazer e fazer, uma cobrança interna de atender padrões altos. Outro dia falo de outras coisas.
Parafraseando o lindo e talentoso George Clooney acima, 'good luck and good night'! 'Boa sorte e boa noite' .
Mais informações sobre o assunto
terça-feira, novembro 07, 2006
Tarefas realizadas
ENTONCES... aqui estou de novo.
1. Estive auxiliando na Organização do XXVI CONBRAT, e fiquei totalmente voltada a isto, principalmente de junho a setembro. Agora já foi, e se quiser, veja os comentários em http://www.alat-net.org. Foi muito engrandecedor trocar tanta correspondencia, auxiliar as pessoas na vinda.
2. Fui ministrar a Oficina na Universidade São Francisco, e penso que passei a idéia que queria, ou seja, é necessário que a mulher se policie para manter sua racionalidade na vida de relação. O que ocorre é que a mulher ainda é educada para ser tarefeira e cuidadora, o que a faz presa fácil do papel de Salvadora, descrito em Manipulação. Outra coisa que ainda atrapalha na formação da mulher moderna é a idéia de 'agradar'. Isto leva a um sentimento perene de rejeição, e a sensação de que falta alguma coisa nela (na mulher). Não considero que a mulher sofra de um complexo de castração segundo Freud. Se existe um complexo de 'falta de alguma coisa' e existe, em grande parte ocorre na educação da menina para ser mulher, aquela que é a deusa, a que tem o poder de agradar os homens. E consequentemente as outras mulheres que vivem nesta visão castrada de desenvolvimento do feminino. Um workshop só para mulheres consegue, pelo menos da forma como 'rola' o meu trabalho, fornecer a importancia da aprendizagem de ser si mesma. Uma das permissões mais importantes que os pais podem dar a uma criança é 'ser si mesma' em idade e sexo. Digo 'pais' porque eles convivem a maior parte do tempo com elas, as meninas, e com êles, os meninos. Muitas meninas tornam-se rebeldes devido a intensa preocupação dos pais em que elas sejam atraentes, bem vestidas, educadas, enfim, o que os pais defendem, sem respeitar a identidade delas. Sei que isto ocorre também com os meninos, mas estou hoje a falar das mulheres. A menina, que ainda não é amadurecida o suficiente para se defender, cria uma idéia de que os pais não gostam dela do jeito que ela é. Assim, a menina tem duas alternativas: ou obedece para agradar, ou faz completamente diferente. Quer educar uma princesa? Ensine-a a ser independente, assim ela poderá utilizar todas as suas potencialidades. Dirija seus impulsos, eduque-a para uma vida plena de sentido, ajude-a a desenvolver sua inteligência e carisma. Não a castre. Se não será no máximo uma Cinderela, casada com um príncipe tolo, que não soube nem pedir seu e-mail no baile, rsrs.
Ninguém merece...
1. Estive auxiliando na Organização do XXVI CONBRAT, e fiquei totalmente voltada a isto, principalmente de junho a setembro. Agora já foi, e se quiser, veja os comentários em http://www.alat-net.org. Foi muito engrandecedor trocar tanta correspondencia, auxiliar as pessoas na vinda.
2. Fui ministrar a Oficina na Universidade São Francisco, e penso que passei a idéia que queria, ou seja, é necessário que a mulher se policie para manter sua racionalidade na vida de relação. O que ocorre é que a mulher ainda é educada para ser tarefeira e cuidadora, o que a faz presa fácil do papel de Salvadora, descrito em Manipulação. Outra coisa que ainda atrapalha na formação da mulher moderna é a idéia de 'agradar'. Isto leva a um sentimento perene de rejeição, e a sensação de que falta alguma coisa nela (na mulher). Não considero que a mulher sofra de um complexo de castração segundo Freud. Se existe um complexo de 'falta de alguma coisa' e existe, em grande parte ocorre na educação da menina para ser mulher, aquela que é a deusa, a que tem o poder de agradar os homens. E consequentemente as outras mulheres que vivem nesta visão castrada de desenvolvimento do feminino. Um workshop só para mulheres consegue, pelo menos da forma como 'rola' o meu trabalho, fornecer a importancia da aprendizagem de ser si mesma. Uma das permissões mais importantes que os pais podem dar a uma criança é 'ser si mesma' em idade e sexo. Digo 'pais' porque eles convivem a maior parte do tempo com elas, as meninas, e com êles, os meninos. Muitas meninas tornam-se rebeldes devido a intensa preocupação dos pais em que elas sejam atraentes, bem vestidas, educadas, enfim, o que os pais defendem, sem respeitar a identidade delas. Sei que isto ocorre também com os meninos, mas estou hoje a falar das mulheres. A menina, que ainda não é amadurecida o suficiente para se defender, cria uma idéia de que os pais não gostam dela do jeito que ela é. Assim, a menina tem duas alternativas: ou obedece para agradar, ou faz completamente diferente. Quer educar uma princesa? Ensine-a a ser independente, assim ela poderá utilizar todas as suas potencialidades. Dirija seus impulsos, eduque-a para uma vida plena de sentido, ajude-a a desenvolver sua inteligência e carisma. Não a castre. Se não será no máximo uma Cinderela, casada com um príncipe tolo, que não soube nem pedir seu e-mail no baile, rsrs.
Ninguém merece...
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Citação
Jung: ...A vida nada mais é do que um hiato. O que fazemos dela, o sentido que damos para ela enquanto vivemos importa mais do que qualquer acúmulo de glória e riquezas materiais.