Revista
Tesseract - ISSN 1519-2415 - Edição Especial 2004 [ Publicado originalmente
na Edição 7 – Janeiro 2003 - Atualizada em junho 2010]
“O
CRAVO...BRIGOU COM A ROSA...”
NOELIZA
LIMA
*
A
auto-estima é um assunto que demanda estudos e pesquisas, visto que nas várias
práticas, e não só da psicologia, observam-se que pessoas com baixa
auto-estima tendem a desenvolver mais facilmente transtornos psicológicos e
físicos. Esta relação já é bem definida por especialistas na área
psicossomática. Da mesma forma, ao desenvolver sua auto-estima, esta mesma
pessoa adquire maiores possibilidades de atuação em qualquer área, ampliando
sobremaneira seu círculo de relações.
A
discriminação é fator preponderante no desenvolvimento do auto conceito. Em
nossa sociedade, pessoas diferentes do usual são isoladas, e isto provoca ou
reforça uma visão pobre de si mesmo. Um sistema, ao privilegiar determinada
raça, posição econômica, idade, aparência, sexo e gênero, etc., estabelece
parâmetros que vão contra os direitos humanos e a possibilidade de crescimento
individual e social.
Este
artigo pretende enfocar a auto-estima como um viés do gênero, assim como sua
relação com o roteiro de vida da mulher. Ao enfocar as relações de gênero,
pretende-se também enfatizar a necessidade da psicologia emprestar seu olhar a
esta questão. Ao estabelecer a igualdade na diversidade, por coerência, os
substantivos e adjetivos que estão no masculino – independem de sexo e/ou
gênero. O estudo do caso foi feito acerca de um casal heterossexual, (assim
como a música infantil).
Segundo Flax (1995), a relação entre homem e mulher é assimétrica. A
questão da assimetria remete à questão do gênero, que significa a
diferença de justiça, direitos e principalmente qualificação da mulher em
relação ao homem, diferença esta criada a partir da instalação do
patriarcado e mantida pela sociedade. Podemos dizer que repete a relação
dialética de Hegel (Coreth, 1973), em que um é o Senhor e o outro o Escravo.
Um não reconhece o outro em sua forma pessoal de sabedoria, em sua forma de ser
no mundo.
Para
se entender gênero é necessário que se distinga sexo de gênero.
Sexo é o componente genético
anatômico e funcional, que estabelece a diferença entre homem e mulher.
Gênero é a configuração histórica, social e política que distingue o homem
da mulher, e a forma como esse contexto é elaborado psicologicamente pelas
pessoas. Refere-se aos papéis instituídos socialmente para o homem e para a
mulher e por eles desenvolvidos ao longo da vida.
Quando
discutimos a função reprodutora da mulher, estamos discutindo tanto sexo
(porque se refere às possibilidades fisiológicas do sexo feminino), como
gênero (porque se refere ao papel de mãe estipulado pela cultura e sociedade,
e a forma como esta mãe lida com este conceito).
Este é o discurso concreto do gênero, que se reveste de um significado de
reparação e reconstrução da identidade feminina. O discurso psíquico ou
latente (encoberto) é de que a mulher propicia o aumento de poder do homem, ao
abdicar de suas possibilidades enquanto ser que se constrói. Considera o homem
o depositário de suas demandas, o herói de seus sonhos, o cavaleiro andante
que irá resgatá-la de uma vida passiva e sem sentido (Holanda, 1992). Coloca
todas as possibilidades de reforçamento na figura masculina. E mesmo que tenha
outras atividades não as faz com a mesma paixão com que se dedica ao homem. A
necessidade de concretização do sonho amoroso pode então levar a mulher a se
esquecer de si mesma.
Exemplo: trecho de uma reunião de grupo de reflexão para mulheres. Os nomes
são fantasia.
“Rosa
diz que não suporta mulheres que gastam com compra de roupas. Ao ser
questionada por Mimosa, justifica dizendo que sua opção política é
contrária ao capitalismo, cujo principal designativo é o consumismo
exacerbado.”
Trata-se
aparentemente de uma questão de valores. Isto é o aparente. Entretanto, qual
seria o ‘encoberto’, ou latente, que leva uma pessoa a sentir raiva de outra
que compra?
Em
sua história de vida, Rosa foi continuamente excluída de várias
atividades escolares e sociais. Questionava as regras vigentes, desde a forma
com que se atribui uma nota no ginásio, até como se vestir para um
acontecimento social. Atualmente vive com um homem (Cravo) há dois anos,
sem contrato assinado. Umas de suas queixas é a falta de erotismo na relação.
Falando
marciano (Berne, 1974), ou seja, lendo o latente de forma intuitiva e criativa,
o (a) analista percebe que Rosa manifestou, desde o início, uma postura
rebelde. Na primeira infância, até onde se sabe é que se sentia só e sem
carinho. Sua relação com o pai era difícil, mas não foi possível
obter mais dados sobre isso. Segundo Maslow (1987), Rosa se encontra em
busca de segurança, necessidades sentidas pelos adultos durante emergências,
e períodos de desorganização na estrutura social (crises monetárias,
violência social, etc.). Estas necessidades são sentidas mais freqüentemente
por pessoas que, quando crianças, experimentaram insegurança resultante de
abandono ou perda de afeto.
Continuando
esta reflexão pela análise do roteiro de Rosa (Berne, 1974) há que se
esclarecer alguns pontos referentes a esta análise. Roteiro de Vida ou
Script
é um conceito da Análise Transacional, método psicodinâmico criado por Eric
Berne. Significa que por meio da forma em que a criança se sente perante pais e
figuras importantes, adquire uma visão não realista acerca de si mesma. Se
isto não for reavaliado no discurso real, a pessoa estará sempre seguindo
papéis aprendidos com o objetivo de sanar situações temidas. Para justificar
seu estilo de vida ‘mágico’, a pessoa utiliza suas defesas (Klein, 1975). O
script individual sofre influências histórico - culturais, e familiares. Uma
mulher heterossexual, com roteiro psicológico de Chapeuzinho Vermelho, evita
homens protetores (como o lenhador da história), buscando homens interessantes
(Lobo Mau), ou seja, os parceiros que trazem agonia e êxtase.
Seguindo
este raciocínio, muitas mulheres conseguem encontrar bons companheiros,
entretanto, pela aprendizagem da baixa auto-estima, atuam no relacionamento de
forma a convidar o homem a se tornar um ‘parceiro’ de roteiro, ou
seja, a exercer papéis complementares (Caracushansky, 1982), comprovando
situações temidas pela mulher, fantasias que vivencia ao longo de seu
crescimento (a confirmação de que é má, de que não nasceu para viver junto
com o(a) parceiro(a), que não é interessante, etc).
O
homem também, ao colocar seu roteiro em curso, mesmo se casando com uma
princesa pode enviar mensagens subliminares de forma a convidá-la a ser uma ‘madrasta
de Branca de Neve’, um outro exemplo de confirmação de roteiro.
Isto
leva a expectativas frustradas por parte da mulher e do homem.
Mudar
o roteiro é possível desde que a mulher rejeite o papel cultural a ela
imposto. Na maioria dos casos a mulher não tem consciência do quanto é forte
o condicionamento cultural, acreditando-se muitas vezes com ‘má sorte’,
culpando parceiros, exagerando a parte psicológica.
Duas
pessoas que vivem juntas têm a mesma responsabilidade no estabelecimento
da relação. Então imagine se Rosa e Cravo têm roteiros
complementares. Rosa, querendo resolver uma situação de abandono, e Cravo,
querendo vingar-se (não conscientemente) dos maus tratos em infância. Rosa
projeta em Cravo a expectativa do abandono, e Cravo projeta em Rosa
a figura de uma mulher raivosa e infeliz. Ambos não se sentem seguros (um
em relação ao outro), têm dificuldades em confiar, suspeitam de não serem
amados, e tudo o mais que estas fantasias infantis trazem. Se alguma expectativa
catastrófica importante é confirmada, como a entrada de outra pessoa na
relação (pode ser até a sogra), ambos os parceiros se sentem ressentidos e
abandonados.
A
história cultural de submissão feminina, a expectativa de que a mulher seja
(como tem sido através dos séculos - a ‘cuidadora, a santa, a tarefeira’),
faz com que na maior parte das vezes ela se sinta incapacitada, o que não é
verdade. A mulher tem condições de expressar-se apesar de não ser costume em
sua vida de relação, e deve fazê-lo. Coisas não faladas tornam-se geradoras
de estresse prejudicando, além do relacionamento também a condição física e
psicológica da mulher. **
Segundo o exemplo do casal, se Rosa superprotege o marido, o faz em
virtude das manipulações de que é vítima, das exigências sociais
introjetadas, e por medo de perdê-lo. Cravo também é vítima de uma
história cultural que o coloca como superpessoa, dono da verdade, e sem poder
expressar seus sentimentos ( para ele - sinônimo de debilidade), entre outras
características de gênero. Além disto tem seus receios e fantasias infantis
introjetadas. Ao ver a esposa como sua mãe, tem dificuldades em tratá-la como
fêmea, auxiliando na falta de erotismo da relação. Não expressa suas
dificuldades perante a necessidade de maior sensualidade da mulher e os
sentimentos de menos valia que isto lhe acarreta. Teme tanto a crítica
da esposa–mãe, quanto a crítica social que já faz parte de si.
Parece
claro que as velhas questões de moral merecem ser questionadas em favor da
auto-estima, visto que a mesma exige um posicionamento de confronto consigo
mesmo, do que se busca e do que é ensinado. Considera-se pertinente refletir se
estará a psicologia pronta para lidar também com a configuração histórica
à qual a configuração psíquica se remete.
Segundo Lima, (2000), a leitura psicológica da questão de gênero é
nova e pouco consultada por psicólogos, e interfere em todas as áreas em que a
psicologia atua, visto que é uma questão histórica, cultural, social e
política. Segundo Boyd (1996), a ciência deve ser questionada quando o momento
assim o exige, visto que a ciência foi criada pelo homem e portanto ao ser
humano se deve remeter.
No momento em que o psicólogo, cujo compromisso é com a qualidade de
vida dos ser humano, se defronta com danos causados por uma sociedade regredida
no assunto do valor do cidadão, deve proceder ao seu trabalho de agente
transformador, com consciência, ética e eficiência.
Novas formas de relações afetivas estão se formando, a maioria
quebrando valores e trazendo novos ganhos e novos enfrentamentos. O grupo social
mais conservador aceita aos ‘trancos e barrancos’ esta mudança, não sem
culpar os novos paradigmas de pensamento. Nossas crianças ainda são criadas
para a orientação heterossexual. Aquelas que sentem dentro de si uma
orientação diferente deixam os pais e seu círculo mais chegado atônitos, por
não saberem o que fazer. Buscam mudar os(as) filhos(as) como se fosse uma
questão de aprendizagem. Poucos, mais sábios e confiantes, deixam que a
criança cresça do seu jeito, acreditando que a livre opção deve ser
incentivada, em todos os campos. Isto reflete uma possibilidade de evolução
social, sugerindo que somente através da verdade interna de cada um, e do
diálogo psicologia – sociedade, poderemos efetivamente auxiliar neste momento
transformador.
BIBLIOGRAFIA
BERNE,
E., Qué dice usted después de decir ‘hola’?, La Psicologia del
Destino Humano,
B.
Ayres, Ediciones Grijalbo, 5ª, 1974.
BOYD,
C., Ciência e Análise Transacional, In Revista Brasileira de Análise
Transacional,
REBAT,
editora da UNAT, ano VI, nº 1,
ISSN: 1517-8668, 1996,
CARACUSHANSKY,
S., Mitanálise, 1982, mimeo.
FLAX,
J., Psicoanálisis y Feminismo, Pensamientos Fragmentários, Madrid,
Ediciones
Cátedra.,1995.
HOLANDA,
H. (Org.), Y Nosotras Latinoamericanas? Estudos
Sobre Gênero e Raça,
São
Paulo, Fund. Memorial da América Latina, 1992.
KLEIN,
M., RIVIERE, J. Amor, Ódio e Reparação, São Paulo, Imago,
1975.
LIMA,
N. Experiências de um Grupo de Mulheres na Luta pela Cidadania, dissertação,
PUC-Campinas,
2000. Orient. Prof. Regina M.L.L.Carvalho. Resumo disponível em arquivo,
nesta revista.
______Women
Rights: Berne’s Groups Dynamic [trabalho apresentado. In: ITAA August
Conference, San Francisco, 1999]. Programa Disponível on line [http://www.itaa-net.org]
MASLOW, A., FRAGER, R., FADIMAN, J., Motivation and Personality, Addison
– Wesley ,
Pub Co; London, 1987, 3ª ed.
*
Noeliza Lima é psicóloga, CRP 6/505, Mestre em Psicologia Clínica
(Puc-Campinas - CAPES- DS). Didata em Análise Transacional. Facilitadora de
grupos em Auto-estima, Gênero, Motivação e Desenvolvimento de talentos.
Professora Universitária. noeliza@hotmail.com
Para entender melhor
os conceitos de Roteiro, Papéis, vejam informações sobre Análise
Transacional neste blog. Palavras no masculino
independem de sexo e gênero, é somente uma questão gramatical.
Links externos:
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Qual o papel da mulher do século XXI
Ela vem assumindo um papel importante na sociedade deixando sua marca registrada através dos tempos
Juliana Klein
A
mulher muda o seu comportamento a cada década, tornando-se cada vez
mais moderna e
desafiadora para as leis culturais da sociedade. Segundo Noeliza Lima,
mestre em Psicologia Clínica e especialista em Auto-estima é difícil de
traçar um perfil da mulher brasileira de hoje, pois, segundo ela a
nossa população é diversificada e a mulher
acompanha os tempos se adaptando as circunstâncias, sejam elas
econômicas ou culturais.

FEMINISMO
Mesmo
com tantas mudanças, ainda existe um grande preconceito por parte da
sociedade em relação às mulheres chamadas feministas. “Homens e
mulheres temem o feminismo quando ele exige uma tomada de posição, no
entanto, há muitas faces do feminismo e não se pode generalizar”,
afirma complementando ainda, que isso pode assustar as pessoas que
estão condicionadas a manterem sua estabilidade
[mesmo que seja uma estabilidade aparente].
As
pessoas acabam reagindo de uma forma a rejeitar essas mulheres, mais
pelo modo delas agirem e se comportarem quando tentam se encaixar no
grupo das “mulheres modernas”, que segundo a especialista, são essas
que querem mudar e fazem de uma forma errada, destruindo muitas vezes,
relações importantes na sua vida. Tem ainda os que consideram que o
feminismo [que só ouviram falar], se trata
de mulheres mal-amadas, o que acaba as prejudicando afetivamente,
podendo levá-las a entrar em conflito com sua própria identidade e por
fim, acabar assumindo a personalidade do parceiro, por isso podem
parecer ainda dependentes do homem. “Mas não se pode
deixar de questionar a responsabilidade do parceiro, que por
desconhecimento acredita que a mulher é deprimida por nascimento”,
acrescenta.
A
Psicóloga acredita que esses desentendimentos sobre o assunto, são
frutos da má informação
que chega a sociedade, eles não possuem um esclarecimento ainda, do que
seja feminismo. E ainda, esclarecendo essa questão do feminismo,
conforme Noeliza, é um movimento sócio cultural bastante intenso, que
se dedica a questões gerais como a identidade da
mulher em sexo e gênero e que perpassa a discussão de discriminação,
inclusão social e qualidade de vida.
CASAMENTO
O
sonho de toda jovem é casar, ser uma boa esposa, dedicada aos filhos e
ao lar. Pelo menos esse era o pensamento antigamente, hoje a história
tomou um novo rumo e o papel da mulher é muito mais que uma boa dona de
casa, uma boa mãe e uma boa esposa, diz Noeliza que não vê no casamento
uma obrigação e considera que o jovem pode sim, estabelecer ligações
mais maduras em longo prazo. Para ela o
fato é que os pais querem uma estabilidade para as filhas, e acreditam
que o homem vai proporcionar isso a ela. Já eles, ainda na visão da
família, se estabilizam emocionalmente, sendo prioridade para eles o
matrimônio.

MUDANÇAS
Mesmo
na modernidade de hoje, com a mulher fazendo parte do que antes era
denominada só para os homens, ela ainda sente a atitude machista no
emprego, no lar, dos filhos e até mesmo da própria sociedade. Noeliza
acha que nada disso faz com que ela deixe de ser uma lutadora ou
desanime diante das dificuldades. “A mulher não se sente inferior e sim
determinada a conquistar seu espaço”,
enfatiza.
Elas
passaram por muitas coisas e fizeram conquistas importantes como: o
direito ao voto, o direito a uma profissão, e, sobretudo o direito de
ser respeitada fora e dentro do lar, bem como
outras coisas que fazem parte das características desta nova mulher.A
imagem passou a ser de uma mulher moderna e é cobrado dela muito mais
do que se cobrava antes. Ela tem que ser perfeita tem que ser
agradável, uma boa administradora do lar [se tem
posses], bonita, inteligente, boa profissional e “boa de cama”. A sua
auto-estima pode ter mudado comparado-o há décadas passadas, mas, de
fato, o papel que assume hoje trouxe também cobranças e
responsabilidades maiores. O que torna para elas uma das
maiores dificuldades das quais tem que enfrentar. “Mas a mulher que
quer ser chamada moderna tem que saber até que ponto é ela quem decide
a sua vida, e até que ponto é a sociedade ou valores antiquados”,
desabafa Noeliza.
BELEZA
A beleza hoje é um
assunto delicado de se tratar. Segundo a psicóloga, esse assunto é uma
questão individual e passa a ser uma questão de saúde coletiva e
qualidade de vida quando a
mulher se sente aprisionada na rede de perfeição. “Pessoas
sacrificam corpo e mente em benefício à aparência”, que segundo ela se
trata de uma questão de consumo. Mas quando ela diz isso, está
se referindo a exageros, como: a moça jovem que é obcecada por beleza,
pois quer um trabalho rentável e necessita de um corpo perfeito, ou a
mulher que coloca silicone para prender o marido, entre outros casos.
“O cuidado consigo mesma é uma preocupação de saúde, e nada tem a ver com a beleza de consumo”, acrescenta.
Ela
explica essa necessidade da beleza perfeita é uma característica da
sociedade hedonista na qual vivemos. E a mídia contribui muito para
isso.
“O que não se deve é generalizar, achar que isto é contra produtivo. Temos que levar em conta que tem certas empresas que lidam com a
beleza”, afirma, referindo-se a empresas de cosméticos, academias de ginástica entre outros.
Ser uma mulher moderna
Perfil mostra altos e baixos da modernidade
Juliana Klein
Acorda
cedo, deixa a filha na escola, mais um dia de batalha, mais um dia de
luta e conquistas. Mas sempre disposta a continuar. Assim vive Patrícia
Suenia, uma mulher
que com 29 anos tem orgulho de hoje, ter conquistado sua independência
financeira. Tem uma filha de oito anos e esta noiva há dois com
casamento marcado para daqui há um ano.
A
vida a pegou de surpresa com uma gravidez quando tinha 22 anos, com o
apoio dos pais, dos amigos e até mesmo de seu chefe, assumiu a
responsabilidade sozinha,
prosseguindo nos estudos, dedicou-se ainda mais ao trabalho sem deixar
que nada a fizesse desistir de continuar lutando. A chegada de um bebê em sua casa, a fez amadurecer mais rápido, começou a pensar no futuro,
ainda mais entusiasmado e feliz.
Estando
sempre a frente de tudo pronta a alcançar suas metas, hoje trabalha na
área de comunicação, mas sua meta principal é seguir o que esta
cursando atualmente,
que é Gestão em Hotelaria. Se dedica aos estudos, já é formada em
turismo, fez quatro anos de língua espanhola e não pretende parar por
ai, ano que vem seu objetivo é retomar suas aulas de inglês que um dia
teve que interromper por falta de tempo.
Mesmo
para quem acha que com toda essa vida agitada, Patrícia não consegue
conciliar bem suas responsabilidades, engana-se, mesmo com o tempo
curto, nos finais de semana, sempre muito corridos, ela dividi
bem o tempo para lazer, estudo, casa, seu noivo e sua filha adorável
que encanta a todos. Em meio a tanta luta e tantos sonhos, será que ela
não teria o perfil de uma feminista? Pode achar que existe ainda uma
descriminação muito grande por parte dos
homens, em termos de remuneração, mas, ela não se considera uma. Nunca
trocaria a vida que leva hoje para ser apenas uma mulher dedicada a
casa e aos filhos, acha que uma verdadeira mulher moderna pode
conciliar tudo isso.“Hoje não dá para ficar parada
em casa, cuidando dos afazeres domésticos enquanto o mundo lá fora muda
a cada segundo” diz com sinceridade. Ela aproveita a vida cada segundo
que passa, cada momento com muito cuidado, para no futuro, quando
estiver bem velhinha, olhar para trás e não
se arrepender daquilo que não fez e viver uma vida tranqüila e com
condições dignas de sobrevivência. “Creio que qualidade de vida está
ligada ao ser e ao fazer aquilo que realmente queremos, o que importa é
sermos felizes com as opções e os
caminhos que escolhemos” - diz emocionada.
DE MULHER PARA
MULHER
NOELIZA LIMA
‘Que não seja
eterno posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.
‘
(Vinícius de
Moraes)
Ah, esta frase tão linda,
e tão dolorosa...Como fica o coração da mulher quando seu amor
não a quer mais? Tenho visto e ouvido mulheres muito tristes com
separações tumultuadas, perdas dolorosas de entes amados. Não
raro dizem: "Fico até com culpa de dizer, mas teria sido
melhor se ele tivesse morrido".
A conseqüência é que o
coração fica marcado, a ferro e fogo com esta lembrança –
saudades do que poderia ter sido e não foi.
..."se eu não
tivesse dado bola prá ele, estaria bem melhor...por que fui
acreditar quando ele disse que me amava, que eu era sua
‘eterna namorada’...eu não devia ter ido tanto atrás,
virei chiclete...homem não gosta de mulher que corre
atrás...puxa, ele separou e nem me falou...ah, se ele gostasse
mesmo de mim teria vindo atrás de mim...não acredito, ele
gostava de mim...será que tem outra?...agora que tá por aí,
livre e solto, não vai me querer...como eu faço prá viver sem
ele, meu Deus?...Como a gente pode esquecer?..."
Todas as mulheres se
lembram de sua primeira desilusão amorosa. Sabem detalhes de
seus sentimentos, têm consciência de quando se deixaram levar
pelo encantamento, mas também sabem sim, quando o homem foi
sincero. Conseguem entender a dificuldade do homem em mostrar o
que sente, seus jogos de conquista, e sabem quando falam a
verdade. Se aceitam o amor de um homem é porque o querem. Quando
não querem, o não é não. E quando amam, como são
fiéis...mesmo que o homem não lhes dê a atenção devida, e
por opção. São de uma fidelidade a toda prova.
As vezes me pego pensando
que os homens não conhecem as mulheres...Existem alguns chavões
tão desconcertantes, e tão enganadores, que as mulheres ficam
quietas mais por cansaço do que por outra coisa.
"...mulher acredita
em tudo...se você é casada, porque está neste chat? ...se a
mulher sai com outro é porque o marido não dá conta...mulher
solteira depois dos 30 deve ter algum problema...você sai sempre
com uma amiga? Ih, aí tem...mulher lésbica é mulher que foi
mal cantada (por homem, é claro)..."
E por aí vai.
Então, quando ocorre da
mulher ser rejeitada, o sofrimento é muito grande. Nada tem mais
graça, o futuro fica negro, aliás nem em futuro se pensa.
‘Homens São de Marte,
Mulheres São de Vênus’ , ‘Mulheres Inteligentes,
Escolhas Insensatas’, e outros livros, buscam explicar as
diferenças de enfoque entre homem e mulher. Os homens se
satisfazem com livros, em autoconhecimento. As mulheres não.
Somos ‘escarafunchadoras’ por natureza, ou talvez haja
uma capacidade intuitiva de querer ir até o fundo, buscar
entender as razões da rejeição, buscar na verdade a certeza de
que : ‘ele me ama, o que sentiu foi medo’. Mas até
isto não sossega a alma de uma mulher.
Se o outro não quis mais a
relação por medo, ou por precisar de tempo, ou por não achar
que nos merecia...são coisas que não satisfazem a lógica
feminina. Porque as mulheres também têm um lado prático em
questões afetivas: não quis porque não quis. E nenhuma
racionalização, ou justificativa, cala mais que o ato do
descaso em si.
O sentimento obedece as
suas próprias regras. Cada pessoa sente o abandono de um jeito.
Mas as mulheres, ah, estas são muito parecidas...
Seres de extrema
sensibilidade, pressentem quando estão para perder, sabem quando
não há volta. Corajosas, permitem-se ir até onde conseguem
para lutar por um amor, e vão longe. Criativas, inventam formas
de conviver com o homem amado, mesmo em situações difíceis.
Práticas, sabem quando não são mais desejadas. Não suportam
desculpas, justificativas, meias verdades, nem qualquer outro
jogo de poder.
Manipulam? Sim, as vezes,
são tolas inconscientes de seus próprios destinos entregues a
estes homens que escolheram.
E o homens? Na maior parte
das vezes mostram-se inseguros com a paixão de uma mulher. Uma
mulher apaixonada é determinada. É verdadeira. Isto incomoda.
E aí eles se perdem.
Questão de papéis histórico- culturais.
Mas a mulher, na perda,
também se perde. Sente o vazio. Perde a orientação e o
sentido. Por isto, pelas mulheres que sofrem por amor, deveria
ser colocado um aviso em cada esquina da cidade: ‘Não
brinque com o coração de uma mulher’.
Este desengano marca, seja
aos 20 ou aos 55. A alma fica ferida, e a mulher amargurada.
Vinícius, meu mestre e
poeta preferido, me perdoe, mas ‘ser infinito enquanto
dure’, é coisa de homem. A mulher quer mesmo é ficar
com o homem que ama.
Portanto, mulheres,
cuidai de vossos corações !!....
NOTA: O amor não
tem sexo nem gênero - serve a todas as opções sexuais, assim
como este artigo.
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