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quarta-feira, janeiro 23, 2008

Ao Mestre Com Carinho


Hoje, ao verificar a notícia do falecimento do meu estimado professor, não pude deixar de prestar uma pequena homenagem póstuma, e deixar minha estima à família enlutada.
Era um mês de março, com o friozinho se instalando, quando eu fui conhecer meu futuro orientador. Deliciosos anos juvenis, 1974-77, na antiga Pós de Psicologia da ainda Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Meu trabalho seria um estudo psicodiagnóstico de crianças das Escolas Municipais de Campinas, para verificar a incidência da Disfunção Cerebral Mínima (hoje TDAh). Precisava de um orientador que fosse versado no tema, e felizmente Dr. Mauricio Knobel estava lá como docente.
Meu novo orientador indicou-me então muitos livros para o embasamento teórico. Como haviam poucos no Brasil, emprestou-me alguns textos, outros me deu cópias, muito dinâmico e conhecedor.
Lembrei-me que já o tinha visto, em um primeiro congresso no qual participei, ainda como aluna do 5° ano, no Rio de Janeiro (1972). Neste congresso Dr. Knobel introduzia aos brasileiros o Dr. Eduardo Kalina, na época o maior especialista em psicanálise de adolescentes. Eu me considerava já analista de comportamento, então era 'sui-generis' minha participação neste congresso. Entretanto sempre quis conhecer mais e mais, e cheguei até lá com minhas queridas amigas: Betinha,Maria, Tânia (que me lembro...). Foi uma experiência inenarráve. O professor Knobel, era o convidado de honra, já que sua chegada ao Brasil foi muito festejada, como um ícone que era da psicanálise e da academia.Estávamos orgulhosas também porque nossa professora de TTP estava lá como uma das organizadoras, prof. Regina Maria L. Lopes Carvalho. Que a vida me traria de presente 26 anos depois como orientadora no meu segundo mestrado, na mesma Universidade.
Dr. Knobel viajava bastante enquanto foi nosso professor nos idos de 1975-76, sem deixar seus orientandos, e minha dissertação chegou ao final.O fato inglório é que foram tantos dados que os processadores na época não tinham como colocar símbolos para a linguagem de computador. Infelizmente não foi defendida minha tese, não houve como tabular os dados.
Tive contato mais tarde com a prof. Clara Knobel, como professora de TEP na PUCC, disciplina a qual ministrávamos juntas. Criou-se uma amizade entre nós, e sempre que a encontrei senti muita alegria e confôrto.
Gosto de deixar gravado acontecimentos que mostram que uma simples passagem na vida de alguém pode deixar lembranças por toda uma vida. Fique com Deus, professor!

Obs. Rosa: foto de Jorge Soares:
http://sol.sapo.pt/photos/central/picture39171.aspx

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Abertura e fechamento de ciclos



Olá! Espero que sua passagem de ano tenha sido legal e você esteja preparado para este 2008 'capricorniano'. Um ano dedicado a construir e reconstruir identidades, relacionamentos, tendo a compreensão que é necessário arcar com a modelagem do nosso viver, em ciclos que obedecem ao ritmo das estações. E nós como seres da natureza acompanhamos. Inútil crer que porque pensamos somos mais que o rio, ou o mar, ou os ventos, ou a flor. Somos natureza. Nossa responsabilidade é maior, porque não temos tudo programado - não temos instintos, temos impulsos. E estes impulsos são mediados pela mente. Para que ela funcione precisamos de água e outros nutrientes. Exemplo: tive uma aluna que andou faltando bastante às aulas de Psicologia Geral. Chegou a correr um boato que ela estava muito doente, e eu completamente consternada... Um dia ela chegou e foi falar comigo dizendo: 'Sabe, professora, chegamos a achar que eu tinha alguma coisa no cérebro, tive muito medo. Mas aí fui consultar um neurologista em Campinas!! Aí ele me perguntou se eu comia!...' Pois é, esta querida aluna não comia, sempre querendo emagrecer, esqueceu-se dos nutrientes. Esqueceu que era uma flor pensante.
Dedicação, perseverança, trabalho, são os lemas de Capricórnio. E eu, como reflito muito sobre lendas e mitos, fico a cismar... e compartilhar.
Coloquei acima uma foto da Grande Muralha da China, pensando novamente em ligações e sincronicidade. Para entender o raciocínio, sugiro que vá ao tópico Pontes - que está no arquivo do ano passado.
Muro e ponte são o mesmo, dependendo do êngulo do qual se olha. A Grande Muralha foi feita para proteger a China, e ela também a rodeia, aconchega,e serve de guia para as várias regiões deste lindo país. Costumo dizer que em cada ganho existe uma perda, e em cada perda há um ganho. A palavra japonesa para perda é 'muda'. Vamos fazer uma ponte para a psicologia...e para o portugues. Isto é falar em 'metáforas'.
Muda é a parte da planta que se planta em um local onde vai ficar em definitivo. Podemos então concluir que também para nós, quando há uma perda há uma muda e ela nos traz sempre que quisermos as lembranças do que foi perdido. E em sendo muda, podemos recriar o que foi perdido. Na verdade então não há perda, há mudas.
Muito confuso? pense em suas reparações, em seus descaminhos, em suas retomadas. A pessoa em sua estrada, feita de variados trechos e direções, aprende muita coisa e a tudo acessa para continuar vivendo. Esta atenção e esta flexibilidade são inerentes a nossa condição de seres viventes neste lindo planeta.
Repita comigo : minha vida é uma história se fazendo. ela não se decompõe, só se repõe.

Citação

Jung: ...A vida nada mais é do que um hiato. O que fazemos dela, o sentido que damos para ela enquanto vivemos importa mais do que qualquer acúmulo de glória e riquezas materiais.