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sábado, agosto 31, 2013

Mulher e primavera - análise de tempo interno


Setembro é a estação da renovação. Há uma promessa no ar. Desde menina despeço-me dos ipês de agosto, tristinha, pq são tão bonitos. Enchem as cidades, as estradas e os olhos. Ainda vou pintar este emaranhado de cores do es de agosto.
A natureza no fim de sua gestação, Perséfone e Deméter aprontando-se para o reencontro anual. Juntas, esperam a colheita do que germinaram e gestaram.A velha Deméter, mãe da terra, e sua filha, que habita com Hades o reino das sombras.

Observo no final de agosto, como uma metáfora do tempo, que pacientes geralmente têm alta,  renovando-se também o espaço de atendimento.

Lembro-me da minha dissertação sobre mulheres, quando 'bricolei' textos das pesquisadas e poesia acerca do mito que relato acima.
Nesta época - 2000 - as mulheres ficavam bastante  no espaço privado (casa) e iam pouco ao espaço público. Hoje estão demais no público e pouco gestam a si mesmas. 
O que é gestar? Penso que é cumprir os rituais femininos, estar grávida, coisas tais como ficar solitária com suas coisas e pensamentos,aguardando novas sementes, cuidando bem delas, para as mudas ficarem fortes. Sem este tempo fica como 'remendo em vestido velho'. As coisas acontecem para nós de 'dentro para fora'.


Notas:
Interpretação baseada em textos da Teogonia de Hesíodo.
Licença Creative Commons: Pode copiar desde que coloque meu nome e o link da postagem.
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Citação

Jung: ...A vida nada mais é do que um hiato. O que fazemos dela, o sentido que damos para ela enquanto vivemos importa mais do que qualquer acúmulo de glória e riquezas materiais.