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sábado, novembro 01, 2008

Quando o homem busca a mulher perfeita















‘ Quando o homem busca a mulher perfeita....’ Noeliza Lima - Todos os direitos
Publicado

A afetividade do ser humano ao ser dirigida para o mundo externo traz certos riscos: sentimos medo de perder o que conquistamos. Perder também tem um caráter histórico cultural. Imagina-se que o vencedor não perde.
Perder o homem que ama, para a mulher, é uma tragédia interna e tem também um sentido de ‘não ser suficientemente mulher’, já que nossa cultura sugere que ter um homem é sinal de feminilidade e garantia de felicidade. Daí que vêm as cobranças de casar-se, ter filhos, etc., Isto estimula a mulher a investir em plásticas, silicones, regimes torturantes, beleza, roupas, porque não ter o ‘homem’ é o mesmo que ‘não ser mulher’.
Desde o nascimento a menina é ainda preparada para agradar ao homem, o que na maior parte das vezes significa falar baixo, dominar a raiva, preparar-se para ser uma boa esposa, um aprendizado e tanto. Atualmente agregou-se a isto a necessidade de estudo, porque os homens de repente parecem gostar de mulheres inteligentes. Aí nasce a síndroma da mulher perfeita.
Como uma mulher bonita e inteligente é sinal de status, o homem procura auto afirmar-se através desta busca. As mais feinhas são deixadas de lado, assim como as não tão inteligentes. O interessante aí é que as mulheres realmente acreditam que foram preteridas porque não são suficientemente boas, e se sentem com a auto estima bem baixa. Chama também a atenção que, na maior parte das vezes, o homem não tem consciência de que sua busca pela mulher perfeita é uma auto afirmação.
Até aqui falamos do caráter histórico cultural do assunto. Vamos passar para a parte psicológica mais profunda.
O primeiro relacionamento do ser humano é com uma mulher perfeita: a mãe. Ela ocupa no imaginário do homem e da mulher um lugar que jamais será ocupado por outra pessoa.
A ligação simbiótica entre mãe e filho(a) é necessária nos primeiros meses de vida, para a sobrevivência da criança. Porém a medida que a criança cresce esta necessidade da mãe vai sendo substituída pela necessidade de outros objetos de desejo: o carrinho, a boneca, os amiguinhas e amiguinhas, o estudo, os livros, e assim sucessivamente. Mas sempre que a situação for ameaçadora vem a imagem do ‘paraíso pedido’ ou seja a ligação primária com a mãe, também chamada de ligação dual.
O ser humano busca em seu relacionamento a certeza absoluta: de ficar com a pessoa para sempre, de ser o(a) único(a), de ser considerado(a), etc. Para o homem: ser desobedecido, contrariado, irritado – pela mulher – tem um sentido de abandono, que remete a perda do afeto da sua primeira mulher (a mãe). Por este motivo se tornam exigentes, são refratários a mudanças no estilo do relacionamento, têm dificuldade com mulheres ou muito apaixonadas (‘que chamam de piranhas’), ou muito capazes (‘ que chamam de agressivas’), ou mulheres que gostam de cuidar (‘que chama de grude’) . E o pior é que as mulheres acreditam nestes apelidos e acham realmente que são um horror!!! Pode???
Na questão sexual o caso então se torna um pouco mais confuso. Mulheres assertivas em sexo (que pedem o que necessitam) são admiradas, mas temidas. No decorrer da relação pode surgir impotência, ou o afastamento por parte do homem. Mulheres apaixonadas lembram ao homem o envolvimento e responsabilidade (que guarda na verdade a necessidade de corresponder, e as vezes o homem não se sente capaz e/ou não está disposto).
No fundo há a recordação de um primeiro amor sereno, confiável, seguro – a certeza absoluta da constância, o seio bom que nunca decepciona, nunca exige, a recordação gratificante dos primeiros meses de vida. Mesmo que a relação depois com a mãe seja difícil, o que vale é o que ela significa na fantasia do bebê que existe dentro do ser humano.
Aceitar que ficamos idosos, que a pele cai, que mentimos as vezes, que nos esquecemos, que somos aborrecidos, que o homem não é lá aquela maravilha, que a esposa tem um gênio difícil, que a mulher que trabalha - um dia cansa, que a dona de casa um dia vai prá uma faculdade, que aquela esposa caladinha se torna um mulherão interessante, que o santo homem que adorava a esposa some com sua melhor amiga, que aquela garota ma-ra-vi-lho-sa acha você um ‘mala’, que seu melhor amigo, aquele que você convidava para ir acampar – é homossexual...e imagine só, aquele ‘avião’ que você encontrou no barzinho, quem diria, vive com outra m-u-l-h-e-r !!!!!!!!
Aaahhh!... ser muito exigente hoje em dia é até burrice, você não acha?

Obs.) Este artigo independe de sexo e/ou gênero. Artigos e adjetivos no masculino são somente uma questão gramatical.
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Citação

Jung: ...A vida nada mais é do que um hiato. O que fazemos dela, o sentido que damos para ela enquanto vivemos importa mais do que qualquer acúmulo de glória e riquezas materiais.